Estudos

Estudos para aqueles que amam esquadrinhar as escrituras

on Quinta-feira, 14 de julho de 2016

Isaías 61.1-3 - ​O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; ​a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram ​e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo SENHOR para a sua glória.

 

    Olá queridos, graça e paz! O assunto de hoje é, no mínimo, curioso.

Recentemente, uma amiga, professora bíblica me fez uma pergunta interessante sobre as “várias unções” que muitos asseveram existir. Ela chegou a citar algumas como “unção do cachorro”, “da galinha”, “do macaco”, “do boi selvagem” e “do riso”. Além disso, ela também me perguntou sobre a dita “transferência de Unção”.

    Bom, em primeiro lugar, minha intenção aqui não é bater em ninguém, mas buscarmos pensar um pouco sobre a Palavra de Deus e, talvez, melhorar algum entendimento equivocado que tenhamos.

    Eu creio de todo o meu coração na unção do Espírito Santo. Não apenas creio, mas a vejo como fundamental em nossa vida. Creio no batismo no Espírito Santo como experiência subsequente à salvação e, se você não pensa assim, talvez seja melhor parar por aqui, rsrsrs. Mas acredito que precisamos entender “o que é” e “para que serve” essa unção.

    A ideia bíblica de ungir, vem de passar óleo em escudos, ou panelas, tanto para proteção (no escudo), como para preparar alimento (em panelas). Com esse conceito em mente, Deus determinou que fossem ungidos, ou untados com azeite, aqueles que iriam desenvolver algum serviço para Deus. A figura inicial é o sacerdote Arão, que foi ungido, literalmente, banhado com azeite.

    A questão aqui era uma figura que mostrasse, naquele nível de revelação, a atuação do Espírito Santo capacitando e protegendo aquele que iria desenvolver alguma coisa para Deus. Mesmo antes disso, quando Deus ordenou que Moisés preparasse o tabernáculo, ele o orientou que chamasse Bezalel, pois o Espírito do Senhor estava sobre ele para que ele tivesse a capacidade de manipular qualquer artifício e até para fazer desenhos (Êxodo 35.30-35). Talvez você pense: fazer desenhos é uma habilidade natural. Ao que eu respondo: pode ser mas, se esse desenho é para Deus, deve ser feito na unção do Espírito Santo.

    E foi assim em todo o tempo. Ninguém jamais realizou algo para Deus no Velho Testamento sem ser ungido pelo Espírito - do desenhista ao Rei, juízes, sacerdotes e todos os profetas.

    Com isso em mente, podemos concluir que a unção do Espírito Santo é a capacitação divina ou o suprimento da graça de Deus, para que realizemos para Deus aquilo que fomos chamados, coisa essa que, em nossa força, não seria possível.

    O texto que colocamos no início é uma profecia a respeito do Messias, que seria ungido para uma série de ações divinas que redundariam em liberdade, e sabemos que Jesus, em seu ministério, leu parte desse texto e afirmou que ele, Jesus, era o cumprimento dessa profecia (Lucas 4.17-21).

    Nesse ponto temos algumas coisas a destacar:

  1. Messias ou Cristo - significa, literalmente, “o ungido”, ou “Aquele que tem a unção”.

  2. Mesmo Jesus sendo “o Deus que se fez homem”, foi necessário receber a unção do Espírito para realizar as coisas que lhe competiam.

  3. Se Jesus precisou, acredito que nenhum de nós pode pensar em realizar algo para Deus, sem a mesma capacitação.

 

    No Novo Testamento não vemos essa expressão muitas vezes, mas vemos largamente os apóstolos afirmando que tinham graça para falar, para escrever, para pregar e para servir. O apóstolo Paulo, em Efésios 4.7, afirma que a graça foi repartida a cada um, de acordo com a proporção do dom de Cristo que recebeu, ou seja, a habilidade e capacidade necessárias para operar naquele chamado e realizar aquela boa obra. Ele mesmo afirma em 1ª Coríntios 1.21:

Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus.”

 

    Creio que cada um de nós tem um chamado de Deus, um propósito, uma obra para realizar, e essa obra deve ser realizada na força que Deus supre (1ª Pedro 4.11), através do seu Espírito que habita em nós e está sobre nós. Posteriormente vamos falar sobre a diferença dele dentro e sobre nós.

    Olhando mais uma vez para Isaías 61, podemos destacar a expressão “ungiu para”, ou seja, ungiu com um motivo, com uma razão, para que realizasse algo. Não foi algo sem sentido, para nada ou para simples satisfação daquele que estava sendo ungido, mas para que o ungido tocasse outras pessoas e levasse o alívio de Deus a elas.

    Dias antes do Pentecostes, Jesus disse a seus discípulos que eles receberiam poder (habilidade, capacidade) quando o Espírito Santo viesse sobre eles e, então, poderiam testemunhar eficazmente sobre Jesus e sua ressurreição (Atos 1.8).

É muito evidente a mudança na vida dos discípulos de Jesus depois daquele dia, em que o “poder pra testemunhar” chegou. O covarde e atrapalhado Pedro se levanta e prega um ousado sermão, através do qual três mil pessoas se entregam ao Senhor com corações compungidos pelo que ouviram.

 

A unção nos habilita

    Dentro disso podemos entender que a unção do Espírito, a qual eu amo, não é um espetáculo, ou uma satisfação pessoal, mas uma capacitação, para fazermos o que fomos chamados para fazer. Paulo diz em Efésios 5.18-20 que não devemos nos embriagar com vinho, mas nos encher do Espírito.

Acredito que, isoladamente, essa correção não faria sentido, mas, se nos lembrarmos de que no dia de Pentecostes os que receberam o Espírito ficaram como bêbados, aí sim, temos alguma luz e podemos dizer que, por vezes, quando nos enchemos do Espírito, é plausível que atitudes “incomuns” surjam.

    Agora, precisamos compreender as coisas para não afirmarmos o que a Bíblia não afirma. A unção do Espírito vem sobre nós para que realizemos o que fomos chamados para fazer, mas pode ser que eu reaja de determinada forma essa “descarga” (na falta de palavra melhor) do poder de Deus.

    Talvez você pense: “mas isso só deveria acontecer uma vez!”. Entretanto, o texto que citamos de Efésios 5.18 nos dá a ideia de um processo constante. O próprio apóstolo Paulo já atuava no ministério mas, em Atos 13.1-2, foi ungido para realizar algo novo que, até então não fazia, tratando-se de uma nova fase em seu ministério.

    Muitas vezes chamamos de unção, apenas reações humanas que não são proibidas (e não quero entrar no mérito de qual é ‘certa’ ou ‘errada’ visto serem, apenas, reações) e podem, por que não, variarem de acordo com a personalidade daquele que reage.

    Voltando para Isaías 61, é interessante notar que o ungido iria levar as pessoas a ter óleo de alegria, ao invés de espírito angustiado. Aqui me parece algo óbvio: um ministro ungido com o Espírito de Cristo, pode trazer uma palavra ou ministrar a alguém angustiado e aquele toque do Espírito de Deus encher a pessoa de alegria. Isso, sem dúvidas, é uma obra de Deus, se a pessoa que, antes angustiada, agora está radiante de alegria começa a rir, correr ou cantar. Quem poderia ir contra isso?

    O cuidado aqui seria apenas a ordem do culto e o escândalo a alguns possíveis neófitos, ou incrédulos presentes. Se estamos falando, porém, de um culto dos domésticos, ou de crentes, não consigo enxergar problema algum. O zelo talvez  seja para que a reação não se torne objetivo, ou roube o foco do porquê a unção veio e tornando assim, uma experiência vazia em si mesma.

    Dito isso, realmente não acredito na “unção” da galinha, do gato, do cachorro e do papagaio. Entendo que alguém pode estar cheio do óleo de alegria e rir, ou chorar na presença de Deus.

 

Salmos 92.10 - Porém tu exaltas o meu poder como o do boi selvagem; derramas sobre mim o óleo fresco

 

    Talvez enquanto lia este texto, esse salmo saltou em sua mente. Mas novamente sejamos prudentes.

Sou muito cuidadoso ao analisar textos isolados. Penso que ficamos em terreno perigoso quando assim fazemos. Vou me arriscar aqui para o texto não crescer demais.

    O Boi selvagem aqui, ou touro de basã, não é uma unção específica, mas uma comparação com relação à força que a unção de Deus (óleo fresco) traz na vida do salmista, que estava diante de muitos adversários (pronto falei do contexto rsrsrs).

Pr. Bud Wright, costumava dizer: “estou sério nisso como uma batida de trem”. Essa expressão não queria dizer que ele era um trem desgovernado ou que tinha, literalmente, a força de uma batida de trem, mas que a sua seriedade era muito grande naquele momento. Penso que temos o mesmo tipo de analogia nesse verso, veja a expressão: “poder como do boi selvagem”.

 

Transferência de Unção

    O último tópico que quero abordar aqui, com muita cautela, é sobre a chamada “transferência de unção”. Acho essa expressão perigosa e uma confusão com a prática bíblica da imposição de mãos (Hebreus 6.2).

    A imposição de mãos é bíblica e usada em alguns momentos como: na oração por enfermos, na separação para o ministério e nas orações em geral, feitas para alguma pessoa específica. Acredito que muitas pessoas, e me incluo nisso, receberam o toque poderoso da unção do Espírito através da imposição de mãos de homens igualmente ungidos e consagrados ao Senhor.

    Mas não podemos esquecer algumas coisas; a unção vem para nossa vida de acordo com nosso chamado e, tanto quem chama, como quem unge, é Deus.

Homens impõem as mãos. Deus unge!

Eu não sou dono da unção que está operando na minha vida. Posso discipular, ensinar e treinar alguém que tem o mesmo chamado que eu, posso até mesmo ajudá-lo a se aprofundar no chamado e na unção de Deus, mas, chamar e ungir, só Deus pode fazê-lo.

    Acredito firmemente, que posso ser influenciado pela unção de Deus na vida de outras pessoas, andando,  me associando e aprendendo com elas. Entretanto, dizer que a unção delas vai passar pra mim é outra coisa e isto pode gerar frustrações.

Talvez exista algum ministro ou ministério que você admire e sonhe operar da mesma forma, mas se você não foi chamado para aquilo, não vai acontecer.

    Nosso chamado e vocação pertencem à soberania de Deus (Filipenses 3.14) e devemos apenas aceitá-los e correr com perseverança a nossa carreira.

    É isso pessoal! Amem a unção do Espírito, amem o chamado de Deus nas suas vidas e amem a Deus!