Estudos

Estudos para aqueles que amam esquadrinhar as escrituras

on Sábado, 23 de julho de 2016

 

Hebreus 6.1-2 - Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus,​ o ensino de batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno.

 

            Olá, graça e paz!

            No último mês tive a oportunidade de, mais uma vez, ensinar no Centro de Treinamento Bíblico RHEMA e matéria Escatologia e algo me inquietou. Estudando sobre a ressurreição dos mortos reparei como a ênfase bíblica nesse assunto é vasta, ao passo que o interesse da igreja por ele diminui.

            Assustadora, “papo” de teólogo, ou “profundo” demais, são vários os motivos, falsos, pelos quais, acredito, a igreja tem se afastado de um dos pilares da sua existência. Mas além de tudo isso, acredito que o real motivo do afastamento da igreja dessa, vital, doutrina seja o fato dela ser muito desconhecida da maioria das pessoas, estar envolvida em um manto de mistério, além de cada vez mais estamos gostando da vida na terra.

            Creio que podemos viver o triunfo de Cristo e os poderes do mundo vindouro, já hoje, aqui, não precisamos do estado eterno para vermos o poder de Deus para curar e transformar situações, aliás no estado eterno essas coisas serão totalmente desnecessárias. Mas isso não é motivo para não mantermos viva a Santa Esperança Cristã, e aí entra o ensino e a pregação da Ressurreição dos Mortos.

            Na passagem de entrada deste texto, o escritor de Hebreus lista seis elementos básicos da Doutrina de Cristo. Gosto da escolha das palavras do autor bíblico, pois a única doutrina bíblica é Cristo. Essa doutrina possui vários elementos, alguns básicos e elementares, outros mais profundos e, com certeza, alguns periféricos.

            Os seis elementos listados em Hebreus 6, são chamados de ‘princípios elementares’ da doutrina de Cristo, isso quer dizer que são fundamentos para que se entenda o ensino transmitido por Cristo. Isso me faz pensar que, se não compreendo bem esses seis elementos, nunca poderei compreender qualquer outro elemento mais profundo, ou até periférico com segurança, pois o edifício construído estará sem sua base e prestes a cair.

            Acredito, de coração, que todo cristão deveria se debruçar sobre as Escrituras até ter uma visão ampla dos seis elementos e então partir para outras coisas.

            É curioso pensar, que entre os 6 elementos estão Ressurreição dos Mortos e Juízo Eterno. Veja que esses elementos não são profundos, mas elementares. Não posso dizer que conheço a doutrina de Cristo até que tenha um entendimento sobre Ressurreição e Juízo.

            Penso que este argumento já seria mais do que suficiente para reavivar a sua pregação e busca em nossa vida cristã. Mas vejamos alguns outros motivos

 

1ª Coríntios 15.12-17 - 12 ​Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? ​E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. ​E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; ​e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. ​Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. ​E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.

 

            Acredito que essa passagem seja o argumento definitivo do porque devemos crer e pregar a ressurreição.

            A cidade de Corinto era uma rica cidade grega. Mesmo na época do império Romano, essa cidade desfrutava de muita abundância financeira e filosófica. Em outras palavras, era um solo fértil para o desenvolvimento da filosofia grega. Os gregos, especialmente os chamados ‘gnósticos’, seguidores do ‘gnosticismo’, acreditavam que a ressurreição era uma aberração. Pois para a mente grega gnóstica a grande conquista humana era deixar o corpo e existir apenas espiritualmente. Sendo assim, morrer era se libertar, se libertar das limitações do corpo, das prisões e dos desejos profanos da carne (talvez alguns pregadores ainda pensem assim).

            Para alguém que tem essa crença, voltar para o corpo, depois de ter se libertado dele, era simplesmente sem sentido. Mas o apóstolo Paulo desenvolve um poderoso argumento dizendo que, sem sentido, a a ideia, grega, de que não há ressurreição. Ele diz que, se não há ressurreição então:

 

  • Cristo não ressuscitou
  • É vã a nossa pregação
  • É vã a nossa fé
  • Somos falsas testemunhas de Deus
  • Ainda permanecemos nos nossos pecados.

 

            Paulo, parece mostrar aqui porque a doutrina da Ressurreição dos Mortos é um princípio elementar da doutrina de Cristo. Simplesmente porque se não há ressurreição, não pode haver Evangelho. Por outro lado, o Evangelho é a crença, em primeiro lugar, na ressurreição de Cristo. Nenhuma outra convicção a respeito de Cristo pode subsistir sem a crença, em primeiro lugar, em sua ressurreição.

            Ele não pode ser chamado de filho de Deus sem a ressurreição, não pode ser chamado de Senhor, de redentor, de salvador, de intercessor, de Messias, não há vitória sobre a morte e as trevas, o diabo e seus anjos, não há esperança e não há fé, se não existir Ressurreição dos Mortos.

            O Evangelho só é o poder de Deus para salvação se existir Ressurreição, caso contrário o Evangelho é, apenas, mais uma filosofia, a graça de Deus não pode salvar, o Espírito Santo não pode descer.

           

Pregar a Ressurreição

            É impossível olhar para o livro de Atos dos Apóstolos e não ver uma consistente insistência, apostólica, em pregar a Ressurreição. Vejamos alguns:

Atos 1.21-22 - ​É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, ​começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição

 

Atos 4.1-3 - Falavam eles ainda ao povo quando sobrevieram os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus, ​ressentidos por ensinarem eles o povo e anunciarem, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos; ​e os prenderam, recolhendo-os ao cárcere até ao dia seguinte, pois já era tarde.

 

Atos 4.33 - Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça

 

Atos 17.18 - 18 ​E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição

 

            Esses textos são apenas alguns, existem muitos outros, mas não deixam dúvidas de qual era o centro da mensagem dos fundadores da igreja. Cristo e a ressurreição eram os temas favoritos dos apóstolos. Se afirmamos ser a mesma igreja, deveríamos ser motivados pelos mesmos motivos.

            Outro texto que chama muito a minha atenção é este:

 

Atos 24.14-16 - ​Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas, ​tendo esperança em Deus, como também estes a têm, de que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos. ​Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens

 

            Repare onde Paulo diz que está sua esperança, na ressurreição de justos e injustos. Além dessa ser sua esperança, por causa dela ele se esforçava para viver a vida cristã pura e santa, diante de Deus e dos homens. A firme esperança na Ressurreição, ajudava Paulo a se manter puro diante de Deus.

            Tenho certeza que um dos maiores anseios de qualquer pastor é que seu rebanho viva uma vida santa. Talvez, se voltássemos a pregar a Ressurreição essa tarefa fosse menos árdua, pois a nossa fé é formada por aquilo que ouvimos, se constantemente ouvimos sobre algo, isso passará a fazer parte dos nossos pensamentos, ações e crenças.

 

Esperar a ressurreição

            Na passagem que acabamos de citar, Paulo diz que sua esperança está na Ressurreição. Não foi o único momento que ele disse isso, em Romanos, no capítulo oito ele chegou a dizer que gememos aguardando esse momento

 

Romanos 8.23-25 - ​E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. ​Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? ​Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos

 

            Gememos no íntimo, isso me parece um anseio muito primitivo, básico, aguardando a redenção do nosso corpo. Com paciência aguardamos esse dia.

            Não temos tempo e espaço aqui para desenvolvermos tudo sobre esse assunto. Em breve vamos lançar aqui no site uma série de estudos sobre isso, mas por hora, eu gostaria muito de avivar em você esse anseio.

            Meditando no Novo Testamento, cada vez mais tenho a certeza que a real esperança cristã não é morrer e ir para o céu, mas desfrutar da ressurreição, que é o triunfo definitivo sobre a morte.

            A obra de Cristo só estará completa em nossas vidas, quando todo e qualquer traço de morte for tirado de nós. Hoje, em espírito, já temos vida eterna, mas ainda vemos a morte e a corrupção operando em nossos membros, mas em um dia, que creio será em breve, veremos a glória de Deus, transformando esse nosso corpo de humilhação, para termos um corpo igual ao corpo da sua glória (Filipenses 3.21).


​1ª Coríntios 15.51-57 - Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, ​num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. ​Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. ​E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. ​Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? ​O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. ​Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.