Estudos

Estudos para aqueles que amam esquadrinhar as escrituras

1ª Pedro 2.1 - Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição

 

Os Falsos Mestres Prenunciados


    Tendo mostrado o uso errado da "profecia da Escritura" (2ª Pedro 1.20), Pedro prossegue na sua exposição do perigo dos falsos profetas. Semelhantemente aos falsos (pseudo) profetas dos tempos do Antigo Testamento (Dt 13.1-5; Is 28.7; Jr 6.13,14; Ez 13.9,10; Mq 3.11), essas pessoas introduzirão (na Igreja) encobertamente (de modo secreto, semelhantemente a um traidor no acampamento) heresias de perdição — isto é, "here­sias marcadas para a destruição". Por meio dessas heresias, os falsos doutores estão "negando o próprio senhor que os comprou, trazendo destruição sobre suas cabeças" (NEB).

    Vincent nota que a palavra heresias no grego significa uma escolha. Assim, "uma heresia é, estritamente, a escolha de uma opinião contrária àquela geralmente acolhida; por essa razão, transferida ao corpo daqueles que professam suas opiniões e, portanto, formam uma seita" . A natureza desses movimentos sectários é propagar ensinamentos heréticos, levar, como ave de rapina, membros de congregações existentes e criar divi­sões, causando grande estrago na obra de Cristo no mundo quando "convertem em disso­lução a graça de Deus" (Jd 4). Não é de admirar, então, que o ensinamento herético tem sido um instrumento primordial de Satanás para lançar sementes de discórdia e sufocar o progresso da evangelização mundial (Mt 13.24-30). Também não é de admirar que os apóstolos denunciaram a heresia de forma veemente, porque o ensinamento herético é geralmente o inimigo traiçoeiro da santidade e da justiça! Essa heresia é perigosa porque a santificação do espírito humano ocorre pela crença na verdade divina (2 Ts 2.13). Portanto, crer numa mentira, embora inocentemente propagada, é atrair sobre si possí­vel condenação (2 Ts 2.9-12). A forte afinidade entre heresia e moralidade depravada, de acordo com esse capítulo, ilustra o estímulo recíproco que um dá ao outro — ambas agindo como causa e efeito. O critério para detectar a heresia no ensinamento cristão é reconhecer se ela nega o senhorio de Jesus Cristo. Esse ensinamento pode ser uma rejei­ção deliberada ou involuntária da verdade revelada, aceitando posições contraditórias em seu lugar.

O fato de que muitos seguirão as suas dissoluções ("práticas libertinas", ARA) é evidência de que o coração do homem, à parte da graça divina, é muito propenso à corrupção e ao erro. Por causa dessas pessoas enganadas, será blasfemado o caminho da verdade. O perigo está sempre presente por causa do esforço desses falsos mestres de fazerem negócio, aproveitando-se do povo de Deus com palavras fingidas (falsas). A avareza (obsessão insaciável) dos líderes heréticos tem sido interpretada por al­guns como o desejo por ganhos financeiros e por outros aspectos como a ânsia em ganhar seguidores. Em ambos os casos, a motivação é egocêntrica em vez de "cristocêntrica". Pedro adverte tanto a líderes quanto a seguidores que sobre tais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição (destruição) não dormita. A NVI traduz esse texto da seguinte maneira: "Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda".
 

Os falsos mestres destinados ao castigo

O fim dos falsos mestres, em termos de "julgamento" e "perdição" (v. 3), é uma decla­ração em forma profética, mas ela é tão certa quanto a história. Pedro cita quatro exem­plos, três de castigo e um de preservação, para reforçar seu argumento das coisas que estão por vir. Se Deus não perdoou aos anjos que pecaram (vs 4); se não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé (vs 5); se condenou à subversão as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza (vs 6); e se livrou o justo Ló (vs 7), então sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos e reservar os injustos para o Dia de Juízo, para serem castigados (vs 9). A forma de julgamento pode ser lançar no inferno (tartarosas, somente aqui no NT)" e entregar às cadeias da escuridão ("abismos tene­brosos", RSV), como no caso dos anjos caídos; ou por meio do dilúvio, como ocorreu no mundo dos dias de Noé; ou reduzir cidades [...] a cinza, como Sodoma e Gomorra. Fica claro que o julgamento de pessoas pecaminosas é certo. A essa lista Pedro acrescenta os falsos mestres e suas vítimas, que, se não se arrependerem, também perecerão no juízo (vs 3). Essa classe de pessoas é descrita como "os que seguem os desejos impuros da carne e desprezam a autoridade" (vs 10, NVI).

O julgamento de Deus não é apenas certo e severo, mas também seletivo. Alguns anjos não caíram; Noé e sua família imediata foram salvos; Ló foi salvo de Sodoma. Assim, o Senhor sabe quem deve ser condenado e quem deve ser liberto e Ele sabe como guardar cada um para o seu destino eterno Phillips traduz o versículo 7 da seguinte forma: "Lembrem-se, Ló era um homem bom que sofria agonias espirituais dia após dia por causa das maldades que via e ouvia".
 

Características


Audácia


    Pedro revela que os falsos mestres se caracterizam por serem atrevidos (vs.10; excessi­vos em presunção) e obstinados (possuídos de uma atitude de amor próprio e auto-sufici­ente), que não estremecem ao blasfemar das autoridades ("as glórias do mundo invisí­vel", Phillips). Em contraste, os anjos, que se sobressaem em força e poder (vs.11), não pronunciam contra eles (anjos maus) juízo blasfemo diante do Senhor (cf. Jd 9).

Animalidade


    A razão da audácia dos falsos mestres é encontrada na sua animalidade. Eles são como animais irracionais (vs.12), que nascem para ser capturados e destruídos como animais de rapina. Sua brutalidade é evidenciada no fato de blasfemarem do que não entendem (assuntos dos quais são ignorantes). Eles posam como peritos espirituais quando, na realidade, são ignorantes quanto às coisas de Deus. Ai deles, porque perece­rão na sua corrupção. Ao destruírem, eles certamente serão destruídos; ao serem in­justos, eles receberão o salário da iniqüidade (vs. 13). Mas Pedro ainda não terminou. A animalidade deles é percebida no fato de terem prazer nos deleites cotidianos. Esses cristãos professos são nódoas [...] e máculas para a comunidade cristã. A última parte do versículo 13 tem sido interpretada da seguinte maneira: "...os enganam, vivendo em pecado repugnante por um lado, enquanto pelo outro juntam-se a vocês em suas festas fraternais, como se fossem homens sinceros" (Bíblia Viva). Visto que seus olhos são cheios de adultério (vs.14), eles não conseguem ver uma mulher sem ter pensamentos lascivos. Na verdade, eles estão tão profundamente emaranhados que não cessam de pecar (são incapazes de parar de pecar), porque, por meio da avareza, exercitaram o coração com desejos maldosos. Não é de admirar, então, que são filhos de maldição ("estão debaixo de maldição", Phillips). Eles estão debaixo da maldição de Deus agora e são herdeiros da condenação no mundo vindouro.

Avareza


    Além da audácia e animalidade deles, Pedro acrescenta um terceiro pecado — a avareza. Deixando o caminho direito (15), amaram o prêmio da injustiça; "bus­cando o lucro caíram no erro de Balaão" (Jd 11, NVI). A comparação dos falsos mestres com Balaão é indicativa dos seus motivos (cf. Nm 22-23). Balaão sinceramente deseja­va o dinheiro que Balaque teria dado a ele para amaldiçoar Israel. Ele só não amaldiçoou porque teve a repreensão da sua transgressão (pelo) mudo jumento (16). Esses falsos mestres, no entanto, não tiveram esse obstáculo externo e, pela falta de remorso, estavam prontos a aceitar "o salário da injustiça" (NVI).

Os falsos Mestres e suas Vítimas

    Dizer que os falsos mestres são como fontes sem água ou nuvens levadas pela força do vento, para aqueles a quem está reservado "o destino da escuridão das tre­vas" (vs. 17),' é falar do seu vazio desapontador. Esses mestres falam coisas mui arrogantes de vaidades e engodam com as concupiscências da carne (vs. 18) com a promessa de liberdade, embora eles mesmos sejam servos da corrupção (vs. 19). Isso mostra o seu engodo depravador. Tanto para o mestre quanto para o seguidor Pedro tem uma palavra de advertência séria. No caso daqueles que escaparam das contami­nações do pecado, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo e fo­rem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro (20). Para conhecer o caminho da justiça precisamos conhe­cer o caminho da responsabilidade. Assim, no caso daquele que conheceu a alegria da salvação, mas se desvia do santo mandamento (vs.21), é como pecar contra luz mais intensa e, conseqüentemente, estar sujeito a mais castigo do que experimentaria se "não tivesse conhecido o caminho da justiça" (NVI). Ir da conversão para o desvio é como um cão que voltou ao seu próprio vômito (cf. Pv 26.11) ou como a porca lavada, ao espojadouro de lama (vs. 22). Esse é o fim daqueles que se afastam de Cris­to persistentemente, depois de tê-lo conhecido.